Guia de Orientaes no Relacionamento Com Pessoas Cegas

Introduo

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    As pessoas que estabelecem contato com pessoas cegas, seja de forma
ocasional ou regular, revelam-se de um modo geral inseguras sobre como
agir diante das diferentes situaes que possam ocorrer.
     importante, antes de tudo considerar que a convivncia em qualquer
nvel ou dimenso, constitui tarefa complexa. Implica em negociaes,
concesses, acordos e ajustes. No por outro motivo, todas as sociedades
humanas, em qualquer tempo histrico, trataram de elaborar e implementar
cdigos de procedimentos, encarregados de dirigir harmoniosamente as
relaes, amenizando o confronto das diferenas, desafio constante na
inveno do cotidiano. Tais estigmas, produzidos socialmente, podem
tornar-se emblemticos, enviesando todo o processo de interao. Em tais
circunstncias, resultantes da desinformao, ou informaes errneas,
implicando em reforo dos esteretipos, passam a alimentar as fantasias
que da derivam, dificultando ainda mais o convvio com pessoas com
deficincia.

    Os itens que reproduzimos a seguir, sob o ttulo, "Orientaes no
relacionamento com pessoas cegas", constituem-se uma espcie de cdigo
de procedimentos no qual a relao com as pessoas com deficincia
visual, incorpora uma orientao a ser seguida.
    Dizendo o que no se deve fazer no contato com a pessoa cega,
define-se, em linhas gerais, um modo de tratamento adequado s
interaes das quais ela participa.
    As possibilidades de interao humana so muito amplas e as solues
encontradas pelos grupos para o convvio social harmnico, sem dvida
ultrapassam em muito as situaes contempladas em qualquer manual como
este, que no pretende ser uma receita fechada de bolo. Estas
orientaes porm, sem dvida, proporcionam diretrizes essenciais para
um primeiro e duradouro contato, virtude suficiente para uma interao
positiva e slida, minimizando assim, os efeitos dos preconceitos
vivenciados em nosso dia-a-dia, pela falta de informao, ou na maioria
das vezes, produzidos cultural e historicamente.

<c>Orientaes a seguir


01 - No trate as pessoas cegas como seres diferentes somente porque no
podem ver. Saiba que elas esto sempre interessadas no que voc gosta de
ver, de ler, de ouvir e falar.

02 - Procure no limitar a pessoa cega mais do que a prpria cegueira o
faz, impedindo-a de realizar o que sabe, pode e deve fazer sozinha.


03 - No generalize aspectos positivos ou negativos de uma pessoa cega
que voc conhea, estendendo-os a outros cegos; no se esquea de que a
natureza dotou a todos os seres de diferenas individuais mais ou menos
acentuadas e que os preconceitos se originam na generalizao de
qualidades, positivas ou negativas, consideradas  por
cada um.

04 - No se dirija a uma pessoa cega chamando-a de "cego" ou "ceguinho";
 falta elementar de educao, podendo mesmo expressar um sentimento
falso e piegas, ou constituir ofensa, chamar algum pela palavra
designativa de sua caracterstica sensorial, fsica, ou intelectual.

05 - No fale com a pessoa cega como se fosse surda; o fato de no ver
no significa que no oua bem.

06 - No manifeste pena nem  exagerada solidariedade pela pessoa cega;
  ela deve ser  compreendida e aceita com igualdade e naturalidade.

07 - No se refira  cegueira como desgraa; ela pode ser assim encarada
logo aps a perda da viso, mas a orientao adequada consegue reduzir
seus efeitos; depende de sua determinao, do apoio familiar e da
comunidade onde vive; NO CONFUNDIR DOENA COM DEFICINCIA.

08 - No exclame "maravilhoso"... "extraordinrio"... ao ver a pessoa
cega consultar o relgio, digitar o telefone ou assinar o nome; ela
aprende e passa a executar isso com naturalidade, da mesma forma que
voc executa.

09 - No fale de "sexto sentido" nem de "compensao da natureza", em se
tratando de deficincia; isso perpetua conceitos errneos; o que h na
pessoa cega  fruto do aprendizado continuado, ou simples
desenvolvimento de recursos mentais latentes em todas as pessoas.

10 - No modifique a linguagem para evitar a palavra ver e substitu-la
por ouvir; conversando sobre a cegueira com quem no v, use a palavra
cego sem rodeios.

11 - No  segure a pessoa cega com rigidez ao ajud-la a
atravessar a rua, tomar conduo, ou caminhar com ela.

12 - No acompanhe a pessoa cega em diagonal ao atravessar um
cruzamento; isso pode faz-la frequentemente perder a orientao.


13 - No deixe de oferecer ajuda  pessoa cega que esteja querendo
atravessar a rua ou tomar conduo; ainda que seu oferecimento seja
recusado ou mesmo mal recebido por algumas delas, esteja certo de que a
maioria lhe agradecer o gesto;

14 - Ao conduzir uma pessoa cega a um ambiente que lhe  desconhecido;
oriente-a de modo que possa locomover-se com maior autonomia.

15 - No pegue a pessoa cega pelos braos rodando com ela para p-la na
posio de sentar-se, empurrando-a depois para a cadeira; basta pr-lhe
a mo no espaldar ou no brao da cadeira, que isso lhe indicar sua
posio.

16 - No acompanhe a pessoa cega empurrando-a ou puxando-a com rigidez;
basta deix-la segurar seu brao, que o movimento de seu
corpo lhe dar a orientao de que precisa;

17 -  No deixe objetos no caminho por onde as pessoas costumam passar.

18 - No deixe portas e janelas entreabertas onde haja alguma pessoa cega; conserve-as sempre fechadas ou bem encostadas  parede, quando abertas; as portas e janelas
meio abertas constituem obstculos perigosos.


19 - No se dirija a outra pessoa, quando quiser falar com a pessoa
cega, admitindo assim que ela no tenha condio de compreend-lo e de
expressar-se; ela  responde por si prpria.

20 - Quando encontrar a pessoa cega que j estiver acompanhada, no a
pegue pelo outro brao, nem lhe fique dando avisos; deixe-a ser
orientada s por quem a estiver acompanhando inicialmente.

21 - No diga apenas " direita", " esquerda", ao procurar orientar uma
pessoa cega  distncia; muitos se enganam ao tomarem como referncia a
prpria posio e no a da pessoa cega que caminha em sentido contrrio
ao seu.

22 - No deixe de se anunciar ao entrar no recinto onde haja pessoas
cegas; isso auxilia a sua identificao.

23 - No saia de repente quando estiver conversando com uma pessoa cega,
principalmente se houver algo que a impea de perceber seu afastamento;
ela pode dirigir-lhe a palavra e ver-se na situao desagradvel de
falar sozinha.

24 - No deixe de apertar a mo de uma pessoa cega ao encontr-la ou ao
despedir-se dela; o aperto de mo  uma forma de comunicao e
representa  um ato de cordialidade.

25 - No perca seu tempo nem o da pessoa cega, perguntando-lhe: "Sabe
quem sou eu?"... "Veja se adivinha quem sou"... Identifique-se
imediatamente

26 - No deixe de apresentar o seu visitante cego a todas as pessoas
presentes em um determinado ambiente; assim procedendo, voc facilitar
a possvel integrao dele ao grupo.

27 - No se comunique por gestos e mmica, em um ambiente
onde haja pessoas cegas, j que esta atitude
caracteriza um ato de excluso.

28 - No fotografe ou filme uma pessoa cega sem que ela saiba.


29 - No se constranja em alertar a pessoa cega quanto a qualquer
incorreo no seu vesturio.

30 - Durante as refeies, informe a pessoa cega com relao  posio
dos alimentos colocados em seu prato, bem como  posio dos talheres e
copos na mesa, evitando assim qualquer incidente.

31- No suponha que a pessoa cega possa localizar a porta onde deseja
entrar ou o lugar aonde queira ir, contando os passos; estes no podem
servir de referncia, j que cada pessoa tem uma dimenso de
passo, em funo do comprimento de seus membros inferiores;

32 - O pedestre cego costuma ser muito observador; ele desenvolve meios
e modos de saber onde est; ao sair de casa ele faz o que todos deveriam
fazer: informa-se sobre o caminho a seguir para chegar a seu destino; na
primeira vez poder errar um pouco, mas depois raramente se enganar;
salincias, depresses, ruidos e odores caractersticos, serviro para
sua melhor orientao.

33 - No tenha constrangimento ou desconfiana em receber ajuda, aceitar
colaborao  por parte de alguma pessoa cega; tenha
sempre em mente que  e o potencial de
conhecimento,  inerente a todos.


    Documento elaborado pela equipe de acessibilidade
do Instituto Benjamin Constant, em junho de 2013, a ser utilizado no
processo de recepo dos novos servidores do quadro e do pessoal
tercirizado.

Professor Vitor Alberto da Silva Marques.